fevereiro 23, 2006

FURA FURA

Hoje é um dia de memórias. São todos, mas hoje, pronto. Aqui vai a minha contribuição. Tarde, mas a tempo. O Zeca era um poeta.

Veio lá da terra
Um homem
Tentar a ventura
Põe a roupa
Na maleta
Lá vai de abalada
Não pensa em voltar
Faz como a formiga
Fura fura
Fura sem parar

Pela estrada fora
Era já
Meia-noite
Só cães a ladrar
A chuva na terra
O vento no mar


Um velho voltou
E disse-me adeus
Cantando e dançando
Debaixo do céu
"Que é pena, que é mágoa
Que uma ave de penas
Não possa voar"

Às vezes
Não tenho jeito
P'ra falar de amigos
Meu amigo
Passageiro
Dá-me o teu capote
Para me abrigar
Vai num barco à vela
Numa aduela
Vai fazer-se ao mar

Passaram-se os dias
Dias da
Vida dum cavalo
A galopar
E o homem a andar
E o homem a andar


Um velho voltou
E disse-me adeus
Cantando e dançando
Debaixo do céu
"Que é pena, que é mágoa
Que uma ave de penas
Não possa voar"

Publicado por Joaquim Semeano em fevereiro 23, 2006 10:22 PM
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