fevereiro 06, 2006

O LONGILÍNEO FAUNO

Estendido ao longo da cama, o longilíneo fauno observa para lá da janela as outras janelas. Ouve os Simply Red e julga-se um fauno. Imagina que vê gente para lá das outras janelas. Tem mesmo a ousadia de imaginar que há gente viva à sua volta, mas fica a pensar que o que gostava mesmo muito de ter ali era uma flor, uma simples flor, perfumada e bonita. Depois, o longilíneo fauno pensa que deve acreditar naquelas luzes ao longe e ao mesmo tempo em tudo o que está a escrever. Sorri. Agarra na dor de cabeça e acha-a com um rosto interessante. Diz-lhe: por causa de ti tive a vontade louca de aspirar à mais profunda ilusão e a fazer amor com a princesa da esquina. A dor de cabeça sorriu e abriu as mãos como se dissesse que era evidente.

Publicado por Joaquim Semeano em fevereiro 6, 2006 06:47 PM
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