Encontrei, numa das minhas pesquisas pela FNAC, um tesouro musical: toda a obra dos XTC, numa edição japonesa a preço mais barato, e em embalagens que respeitam as capas originais. Voltei a sentir aquele bichinho de quando ouvi os primeiros sons dos XTC, um dos mais espectaculares grupos de rock ingleses dos anos 80, que pela sua originalidade acabaram por passar um pouco ao lado da fama, sem nunca perderem irreverência e qualidade. Descobri um disco deles que desconhecia, intitulado "Mummer", e que é um espanto. Um bela jogada, esta, feita do outro lado do mundo. Obrigado, Japão.
Ofereceram-me, pelo meu aniversário, um livro que se diz dirigido a todos os pais com crianças pequenas. É o meu caso, e por isso mergulhei nele com alguma avidez. "As Crianças Índigo", de Lee Carroll e Jan Tobe, fala-nos de uma nova geração de pequenos seres, com características especiais, tão diferente de anteriores que se crê estarem no mundo para o transformarem.
Estas ideias inserem-se na corrente de new age que cada vez mais caracteriza a nossa era, muito virada para os valores espirituais, que durante o século 20 se foram perdendo de uma forma cada vez mais evidente. Actualmente, estas correntes procuram recuperar o terreno perdido, mas tentando chegar mais longe, a caminho de uma sociedade mais pura, pacífica e inteligente.
No meio disto tudo, e como sempre aconteceu, há os bons e os maus, os competentes e sabedores e os outros que se procuram aproveitar da situação. Por isso, também foi com alguma cautela que entrei na leitura de "As Crianças Índigo". Chegado ao meio do livro, confesso algum desinteresse, sobretudo no que respeita à atribuição de dotes quase sobrenaturais às novas crianças, e até a alguma reverência, que nos é aconselhada pelos autores. Mas respeito a maior parte das indicações que nos é dada sobre a forma de nos relacionarmos com as crianças: com carinho, com muita atenção e respeito, procurando ensinar e aprender ao mesmo tempo.
Para mim, esta é a atitude a ter com todas as crianças, sejam elas Índigo, sobredotadas ou simplesmente... normais. E por essa razão, não deixa de ser interessante, e bem significativo, que num ambiente de new age nos seja proposto o reformular da nossa relação com as crianças. Significa que também isso se perdeu nos últimos anos. Como aconselham Lee Carrol e Jan Tobe, é importante que nós, agora, sejamos capazes de recuperar esse tesouro.
O homem é um ser labiríntico
como um campo minado
de emoções.
Vira-se sempre para dentro
à procura
das suas próprias canções.
Talvez o homem
devesse olhar em frente
para o campo aberto.
Pensar nas ervas que pisa
e nos outros seres vivos
que deveria conhecer
mais de perto.