maio 24, 2003

Poemaços.3

A VOZ


Na areia molhada
um dedo correu
contra o esquecimento.
Uma voz calada
viveu com força
um momento.

Publicado por Joaquim Semeano em 11:55 PM | Comentários (3)

O hino nacional

Novelinha dramática em 7 episódios

5.
A mulher do arquivo tinha os olhos tapados por uns óculos que pareciam duas rodelas de limão. Espremido o sumo, a beleza estava matizada de azul claro.
Luca quis perder-se naquele céu. Por isso, fez-lhe um sorriso encantador, do qual ela fugiu como se tivesse visto a serpente emplumada. Assim, Luca voltou a baixar a cabeça, mergulhando na leitura daquele volume enorme.
Lá estava Tor Alec, retratado de todas as formas. Vestido dos tempos em que era um deus.
Fazendo sinal à mulher, disse-lhe que podia novamente arquivar o processo.


Proximamente... um grande divertimento.

Publicado por Joaquim Semeano em 11:49 PM | Comentários (3)

O nosso mundo em perguntas

1. Que faziam o nosso Presidente Sampaio e o nosso Primeiro Durão em Sevilha a assistir ao jogo do FC Porto?

Que acontecimento tão importante e decisivo para o País fez que as duas figuras mais importantes da nossa política se sentassem ali, lado a lado, àquele calor abrasador, olhando especadas durante mais de duas horas para um relvado de futebol? O futebol, pois, ah, esse chamamento irresistível. Eu, que adoro futebol, gostava que os nossos políticos soubessem ser mais independentes em relação às teias que o futebol (profissional) tece. E, já que Sampaio e Durão estão assim tão solícitos a comparecer aos acontecimentos importantes, fico a aguardar que também estejam presentes quando da próxima reunião de trabalhadores originada por um despedimento colectivo. Não devem faltar oportunidades…

Publicado por Joaquim Semeano em 11:40 PM | Comentários (3)

maio 20, 2003

Histórias curtíssimas

O BARQUEIRO

Boc é um barqueiro que vem remando pelas águas sonolentas do rio. As mangas arregaçadas, o rosto suado, os olhos brilhantes.
Quando larga os remos, põe-se de pé, a mão direita na fronte. Olha ao longe, e fica assim por quase toda a eternidade.

Publicado por Joaquim Semeano em 01:33 AM | Comentários (2)

Inícios de ficções

Aqui se propõe a interactividade. Como tantos outros com aspirações a escritor, iniciei dezenas de ficções que não continuei. Algumas, abandonei-as ao fim do primeiro período. Por isso vou colocá-las aqui. Quem sabe alguém queira continuá-las...

1. A loja

Havia naquela loja um burburinho denso, como numa selva. Não eram cantos de pássaros nem vozes de pessoas. Eram sinais, gritos e cantos longínquos, talvez vindos de um outro mundo.
....
Pelo menos foi assim que ele sentiu, quanto se aventurou para além do entrada e penetrou mum salão enorme e penunbrento apenas vestido de estranhos sons. Não viu ninguém, na verdade nada se via, e após cinco ou seis passos cautelosos quedou-se atento, à escuta, os olhos semicerrados e as mãos acolhendo as orelhas como conchas... (luis)
...........
À sua volta, apenas quatro paredes. Lisas como folhas de papel. A sua imaginação começou a fazer desenhos nelas. Prateleiras, e livros, muitos livros, ali expostos.
Quando a biblioteca estava completa, ele sentiu-se subitamente mais tranquilo. E sentiu-se irremediavelmente atraído para um livro em especial. (joaquim)
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ALGUÉM QUER CONTINUAR? FORÇA, ESTOU A FICAR ENTUSIASMADO...

Publicado por Joaquim Semeano em 01:31 AM | Comentários (5)

In-Flexões

1. A memória

Muitos anos mais tarde, a memória é como uma cortina envelhecida. Puxa-se por ela, e fica-nos na mão um pedaço de teia de aranha. Só um pedaço. Pega-se-nos aos dedos como chiclete. Deitamos fora e cola-se ao sapato. Andamos e ouvimos o som de cada passo através da pastilha.

Publicado por Joaquim Semeano em 01:24 AM | Comentários (4)

Poemaços.2

SOMBRA

No breve momento
Em que olhamos para nós,
Vemos a sombra
Na pedra das calçadas.
Espelho baço,
Livro feiticeiro,
Liberdade incómoda,
No breve momento
Em que não somos nós.

Publicado por Joaquim Semeano em 01:11 AM | Comentários (2)

O hino nacional

Novelinha dramática em 7 episódios


4.
A única coisa que os deuses encontraram debaixo da grande mesa foram os perdidos cordelinhos do mundo. Nem sinal de Charlot. Estavam ali umas cinzas do cigarro acabado de fumar, e via-se que estivera alguém agachado, porque os pés da mesa não estavam no sítio habitual. Pareciam ter andado a dançar, talvez ao som daquela música maluca que entrava pela janela.
Então, muito cansados, abriram o livro e escreveram que o processo estava arquivado.


Em breve, muito em breve: a mulher do arquivo...

Publicado por Joaquim Semeano em 01:08 AM | Comentários (3)

maio 16, 2003

Poemaços. 1

O LOBO

Longe.
Para lá da cidade
e das montanhas.
O lobo encolhido
ao canto da terra.
O poeta escondido
no fundo
de quem era.

Publicado por Joaquim Semeano em 01:09 AM | Comentários (2)