maio 02, 2005

UM PAÍS SEM IDENTIDADE

Passou mais um 25 de Abril, mais um 1º de Maio, e nada ouvi, na rádio ou na televisão, sobre José Afonso. Fui buscar o "Vou Ser Como a Toupeira" e coloquei no CD do carro.

Em Almada, fui assistir a um concerto de Zeca Baleiro. No início, Sérgio Godinho. Depois, o brasileiro deu um festival de bem cantar e tocar, para poucos, embora animados, presentes. Era ao ar livre, estava uma bela noite, mas a assistência não se comparava à do concerto que, duas semanas antes, os Da Weasel ali tinham dado. Há coisas que não se entendem. Nem vale a pena fazer comparações. Se calhar, este texto não tem sentido.

Mas este país é assim: detesta-se a si próprio, e só se ama a si próprio quando está a imitar aquilo que vem de outros países. É um país com pouca identidade. Vazio de identidade. Vale a pena ler o livro do José Gil, "Portugal hoje -- o medo de existir". Ah? Ah, pois, é português... se calhar não vale a pena...

Um dia acontece-nos algo similar ao contado no livro do Rui Miguel Saramago, "A escrita efémera -- crónica de um descalabro": as palavras começaram a desaparecer, e depois das palavras todos os sinais, todos os signos, símbolos e por consequência o sistema de comunicação que faz de nós seres humanos inteligentes. Por consequência, o homem voltou à idade da pedra, agora com a agravante de viver numa cidade... nós, em Portugal, também estamos a descer ao nível suburbano dos Estados Unidos... com a agravante de vivermos em Portugal...

Publicado por Joaquim Semeano em maio 2, 2005 10:56 PM
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