fevereiro 05, 2005

A CIVILIZAÇÃO DO RUÍDO

Estar desatento é uma imagem de marca da nossa sociedade. Uma característica da nossa civilização. Estar desatento significa não dar atenção às coisas mais importantes, mais básicas e fundamentais da vida. É, portanto, não saber viver.
Vem isto a propósito do momento pré-eleitoral que se vive em Portugal. Para falar a verdade, tenho acompanhado pouco, mas aparentemente tenho, talvez, azar, quando acompanho. Mas eu sei que não é azar. Sei que é mesmo assim, porque é a repetição de momentos anteriores, para pior. A política nunca atingiu um nível tão baixo desde que no nosso país vivemos, presumivelmente, em democracia. Os debates são feitos de "clichés"; os candidatos dizem banalidades e já nem prometem grandes coisas. Dão importância e relevo a novidades como, por exemplo, a criação de um vice-ministro para a competitividade...
Mais uma vez, e como tem sido habitual, não se discutem os reais problemas do país, e ninguém parece interessado nisso. Não se ouve o país, o que pensam os portugueses, os problemas e as dificuldades que passam todos os dias.
No fundo, é a repetição do que se passa no mundo. A espécie humana está em crise, talvez em vias de degeneração. Basta ver o que se passou no drama do maremoto no sudeste asiático: enquanto os animais ouviram a terra e perceberam o que se iria passar, o ser humano foi apanhado de surpresa. Está treinado a não se ouvir a si próprio, e muito menos a ouvir a terra. Há ruido demais na nossa civilização.

Publicado por Joaquim Semeano em fevereiro 5, 2005 11:38 PM
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