janeiro 02, 2005

THE SOUND: UMA HISTÓRIA AMARGA

No último número da revista Uncut é publicado um notável texto sobre o grupo inglês de pop-rock The Sound e o seu disco "From the Lion's Mouth", considerado injustamente esquecido pela crítica. O génio do mentor do grupo, Adrian Borland, é comparável ao de Bono, Ian Curtis ou Ian McCulloch. Mas, vá lá saber-se porquê, os The Sound nunca foram bafejados pela benção da indústria.
A história dos The Sound é um bom exemplo de como a crítica musical pode ser injusta e implacável. Porque eles eram, de facto, geniais. Eu tenho um disco deles, e é dos melhores tesouros da minha discoteca. Uma relíquia, já, porque hoje os grupos de pop-rock não cantam nem compõem assim. Poucos são capazes de criar aquela atmosfera. Os The Sound eram escuros sem ser góticos, eram amargos mas não deprimentes. O disco roda e parece levantar-se um nevoeiro, o vermelho e o azul escuro das suas músicas, e a voz de Borland parece contar a história do cavaleiro sem cabeça.
Porém, Borland e os The Sound nunca foram reconhecidos. Segundo conta a Uncut, um dia o incompreendido Adrian atirou-se para a frente de um comboio e morreu. Como já fizera com os seus discos, a indústria continuou impassível. Afinal, era menos um esquizofrénico para atrapalhar.

Publicado por Joaquim Semeano em janeiro 2, 2005 10:51 PM
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