novembro 07, 2004

A MONTANHA AMERICANA

Sinceramente, as eleições presidenciais nos Estados Unidos nunca me entusiasmaram. Nem ontem, nem hoje, e penso que provavelmente nunca no futuro. Simplesmente porque não acredito que venha dali algo de promissor, embora reconheça o poder (exercido militar e economicamente) que qualquer presidente daquele país tem sobre o resto do mundo.

Por tudo isto, acompanhei com alguma indiferença a azáfama mediática ao redor de Bush e Kerry, mais os seus braços-direitos e as suas competentes esposas. A Europa tinha fé numa mudança, e durante semanas, meses a fio, acreditou que um candidato sem o mínimo de carisma, como é o caso de John Kerry, poderia convencer os americanos a trocarem de líder. Não aconteceu, e quase ninguém se espantou. É caso para dizer que a montanha pariu um rato.

Por diversas razões, não aconteceu nada de surpreendente:
-- em primeiro lugar, Kerry nunca mostrou carisma para convencer, nem mesmo os maiores detractores de Bush;
-- com um adversário destes, bastava a Bush fazer uma campanha simples, tentando dizer o menor número possível de asneiras;
-- para completar o cenário, aquela gravação de Bin Laden, a poucos dias das eleições, foi providencial para mostrar aos norte-americanos como é necessário o braço protector do senhor W;
-- finalmente, para quem já conhece um pouco sobre os americanos, não surpreende que mantenham um líder como Bush: eles nada sabem sobre política; nesse aspecto, têm tudo em comum com os eleitores portugueses.

Publicado por Joaquim Semeano em novembro 7, 2004 12:25 AM
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