agosto 20, 2004

OS SELVAGENS - Em Cima das Suas Teclas Um Gato

Selvagens? Os gatos, pois claro. Eis a raça a invadir esta história, sabe-se lá com que estranho objectivo...
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Este postal, e outros que tal, podem ser vistos na net

Passo a passo, Lizarede entrou na desconhecida casa. Como se descobrisse um outro mundo. De certo modo, sempre desejara tal coisa. Era uma descoberta irresistível. Para lá da luz que iluminava toda a rua, uma porta de madeira. E para lá da porta uma sala completamente desarrumada. E na sala desarrumada um jovem adormecido.
Lizarede admirou-o, pois era de indiscutível beleza. Tinha os cabelos encaracolados, muito negros, e era grande como um gigante. Estava deitado no chão da sala, apenas em cima de uma esteira antiga. Dormia profundamente.
A um canto, havia um rádio, do qual saía a música mais estranha que Lizarede alguma vez ouvira. Uma impressionante mescla de ruidos que só podiam ser provocados por seres anormais. Aliás, tudo ali parecia anormal, constatou logo a seguir o nosso velho sonhador. Por isso estavam as coisas tão desarrumadas. Por isso, o rapaz dormia quase nu, tenho espalhado a camisa e as calças pelo chão da sala. Por isso, as janelas ficavam junto a este mesmo chão, como se ele olhasse para o exterior enquanto estava deitado. Por isso, havia um piano a um canto, e em cima das suas teclas um gato com óculos escuros.

Publicado por Joaquim Semeano em agosto 20, 2004 05:09 PM
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