maio 14, 2004

OS SELVAGENS - Os traços brancos do giz

Vemos sempre qualquer coisa para lá do que olhamos. Mas até onde podemos ver PARA LÁ? Penso que aqui estará a resposta para algumas das interrogações do ser humano e dúvidas da nossa actual sociedade ocidental. Até que camada conseguimos ver PARA LÁ?

Os números que a professora escrevia no quadro eram completamente incompreensíveis. Riscos, apenas riscos. Dúlio olhava, mas era como se não houvesse ali nada. De tanto olhar, acabou por confundi-los. Pensou estar a ver coisas. Os traços brancos do giz começaram a mover-se lentamente, e depois cada vez mais depressa. Até que, todos em conjunto, acabaram por formar qualquer coisa parecida com um espantalho.
Vagamente, Dúlio apercebeu-se que a professora perguntava qualquer coisa a alguém perto dele. Fez um tremendo esforço para abrir os olhos, mas a verdade é que eles já estavam abertos. Mas afastou-os dos traços de giz, olhou para trás e, lá ao fundo, á porta da entrada da sala, estava ele, de rosto sorridente, quase zombeteiro. O palhaço. E ninguém o via!
Tímidamente, Dúlio sorriu-lhe. E o outro pareceu corresponder, mas não saiu do sítio onde estava. O rapaz apanhou um enorme susto quando a professora lhe pousou a mão sobre o ombro.
-- Sempre distraído...

Publicado por Joaquim Semeano em maio 14, 2004 12:52 AM
Comentários

nossa, é cada nome no mundo...
pensei q o meu fosse o único

Afixado por: DULIO SOUZA BORILLE em setembro 17, 2004 03:32 PM