Mais um passo para Os Selvagens. Para os compreendermos, a esses seres, chamados humanos, que invadiram o mundo e o transformaram. Até se transformaram a si próprios.
Como sempre, a literatura permanece um espaço de perdição. Perdido, o herói reencontra-se.
Devia ser um sonho. Ou uma nova alucinação. Lizarede acordou e não acreditou nessa realidade. O rio, onde está o rio? Na sua frente, apenas ervas. Um verde profundo, um mistério indecifrável. E para lá delas, a planície. Nova e desconhecida. Lizarede sabia que não sonhava. Mas não sabia o que realmente se passava.
Levantou-se com a lentidão de quem quer recusar tudo o que está à sua volta. Avançou para o desaparecido rio. Ali em baixo, no vale, restavam as ervas, e um fio de água, lágrima grande na manhã. Mãos abertas, como quem procura segurar algo indefinido, Lizarede avançou, não se sabia para onde. O arco-íris desaparecera.