Há um selvagem no interior de cada um de nós. Um animal não necessariamente irracional. Mas independente, livre, capaz de agir por si próprio, sem perguntar à nossa consciência se é ou não correcto. Devemos respeitar esse animal. E conhecê-lo.
De vez em quando, procurava reencontrar o caminho de casa. Para lá das esquinas dos grandes edifícios da cidade, havia sempre um longínquo chamamento, ao qual o lobo em sofrimento não conseguia resistir. Nos primeiros tempos, quase corria. Subia a montanha como quem sobe ao céu, sedento de reencontrar os vales familiares.
Depois, a pouco e pouco, passei a ficar mais cansado. Enquanto os anos passavam, o lobo perdia o seu entusiasmo.