maio 05, 2004

A ESTRADA - Nem rasto daquela sombra que por ali passara

Fim da Estrada. Ou talvez não. Alcaluz lá vai, para um local longínquo, nas brumas da nossa imaginação. De certa forma, nunca o perderemos de vista.

Sob uma luz mágica, a aldeia conhecia uma animação completamente inesperada. As pessoas tinham saído à rua, e nos degraus de todas as portas havia gente sentada, a ler um livro como o que Alcaluz tinha na mão. Ele avançou, chegou ao vizinho mais próximo, um homem calvo, de olhos enormes, e viu que estavam em branco as páginas que ele folheava. E o mesmo livro era folheado pela pessoa seguinte, e por todas as outras, até que a aldeia acabou, chegou ao fim, e na frente só havia o escuro da noite.
Durante alguns minutos, Alcaluz ficou parado, de pé, o livro esquecido na mão direita, os olhos perdidos no escuro. Depois, como se não pensasse, foi avançando, passo a passo, até que se tornou invisível quando um dos outros leitores levantou a cabeça e não viu nem rasto daquela sombra que por ali passara.

Publicado por Joaquim Semeano em maio 5, 2004 12:38 AM
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