abril 12, 2004

A ESTRADA - Um café onde podemos descansar

glow-boy.jpg Tim Boucher é um artista com uma página na net que vale a pena visitar. Os seus desenhos colam-se bem nesta história, com humor e sátira suficientes para passarmos a entender o nosso mundo de uma forma mais crítica. Este rapaz perdido é apenas um exemplo. O resto também são exemplos de perdição pela arte.

Quando o silêncio voltou, Alcaluz viu que tudo mergulhara na escuridão da noite e que, ao seu lado, o rapaz chorava. Sentado agora sobre a terra que tanto o entusiasmara, chorava como uma criança que realmente era, e tinha então tudo de humano e nada de sobrenatural. Alcaluz não teve mais medo nem espanto. Apenas se chegou junto a ele e segurou-lhe nos ombros.
-- O que se passa? Porque choras?
Mas ele chorava tanto que não conseguiu articular qualquer palavra. Alcaluz puxou-o e abraçou-o. O rapaz chorou no seu ombro, e novo sentimento estranho voltou a apoderar-se daquele homem perdido. Sentiu-se subitamente responsável por aquela criança que parecia tão desamparada. Olhou-lhe os cabelos louros e achou que eram os mais bonitos que alguma vez vira num ser humano. Apertando-o, sentiu-lhe o sangue correr quente e acelerado nas veias, e pensou que era uma vida que não se deveria perder. Mas finalmente o rapaz parou de chorar e Alcaluz perguntou-se o que fazer a seguir. Ele também estava perdido e não sabia nada do mundo.
-- Conheço um café onde podemos descansar. Vem. -- disse-lhe, sem nenhuma convicção.

Publicado por Joaquim Semeano em abril 12, 2004 03:44 PM
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