abril 12, 2004

A ESTRADA - Um rapaz a descer das estrelas

Pois é, a estrada continua. A Estrada, esta aventura em fascículos, que ao mesmo tempo vai acompanhando a nossa vida. Como o herói Alcaluz, o mundo ocidental está numa encruzilhada e procura o seu rumo: espiritual ou material. Cada vez mais radical, que o equilíbrio entre os dois caminhos é cada vez mais difícil.

Havia luz, para lá dos montes. Num sítio perto, era dia claro. O sol repousava ali. Alcaluz avançou, primeiro a medo, depois com coragem, finalmente com a mesma raiva com que saíra da estrada. E então viu as estrelas, milhares delas descendo do céu escuro, numa escadaria imensa, e junto à última delas um pequeno rapaz, de cabelos louros e abundantes, pintados de um fogo perpétuo. Sorria e gritava de alegria, agarrando com ambas as mãos a terra em seu redor e espalhando-a sobre o seu corpo.
Alcaluz parou, assustado. Teve medo daquilo, uma coisa que nunca vira, um rapaz a descer das estrelas e estas a descerem á terra. Mas tinha frio e sentia-se só. Avançou devagar, passo a passo, e quando o rapaz deu por ele parou de arrebanhar a terra e ficou a olhá-lo, com o mesmo sorriso de anteriormente e a mesma curiosidade no olhar.
Quando chegou junto dele, Alcaluz parou, não sabendo o que dizer. Mas ali estava calor. Devia ser das estrelas, pensou. Quis olhar para a mais próxima, mas a luz era tão intensa que foi obrigado a desviar o olhar. E a seguir olhou para o rapaz e viu que ele lhe dizia qualquer coisa. Mas falava tão baixo que nada se ouvia.
-- Mais alto. -- pediu-lhe.
O outro então soltou um grito tão grande como o que anteriormente lhe chamara a atenção, e desta vez Alcaluz ouviu bem e a seguir reparou que as estrelas desapareciam, submergidas no azul escuro do céu.

Publicado por Joaquim Semeano em abril 12, 2004 03:29 PM
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