Este poderia ser o nosso herói Alcaluz. 
Devidamente perdido, personagem numa pintura da artista canadiana Joan Kelly, presente numa página com diversos trabalhos de pintura: Pastel Artists Canada.
Depois da estrada não havia mais nada. Alcaluz olhou para o fim e dele se apoderou um sentimento estranho, que nunca julgara sentir. Talvez o medo.
Baixou-se a tempo de evitar o golpe de um pássaro escuro que ali passou a alta velocidade. Olhou-o, fascinado, sorriu quando o viu desaparecer no azul acinzentado das montanhas ao longe, para lá, muito para lá, do fim da estrada.
Sentou-se, e não sabia o que esperar. Só sabia que as coisas não continuariam assim. Quando tivesse fome e sede voltaria ao pequeno café. Que ainda estava, certamente, deserto. Só para si. Dos amantes não se esperaria tão cedo o regresso à crueza da vida real.
Alcaluz voltou a ser invadido pela inveja. Chamar-lhe-ia nostalgia, mas de nada se lembrava. Não havia nada no seu passado que o fizesse ficar nostálgico. Era impossível, pensou, voltar um dia de uma guerra distante, abrir a porta, olhar a mulher e dizer-lhe com olhos doces que estava ali e temia que ela não se lembrasse dele. Era impossível. Não havia uma porta para bater. A não ser a do café abandonado. Por isso, ficou e esperou. Aliás, abria-se um belo dia. Um sol esplendoroso acolhia aquele homem perdido.