março 14, 2004

A ESTRADA - Escuros, de um negro castanho

O silêncio é quebrado pelo som de um saxofone. De vez em quando, um copo a bater sobre o balcão, o ranger de uma cadeira. Aqui no Bosque, já a seguir, "A Estrada" continua.

Ao caír da noite, entrou por aquela porta um homem chamado Cambar. Tinha os olhos duros e violentos. Escuros, de um negro castanho. Era alto, devia ter uns dois metros de altura, e em todos os seus movimentos havia uma fúria estranha, como se estivesse numa guerra, no meio de um combate.
Foi com esses gestos que ele avançou até meio da pequena sala, deu meia volta sobre si e fixou a mulher sentada ao lado de Alcaluz. E subitamente os seus olhos tornaram-se doces. Meigos. Uma lágrima escorreu.
-- Eu tinha medo disto. De te voltar a encontrar e de tu não me reconheceres.
Tinha uma voz profunda, tão profunda que parecia não lhe pertencer.
Ela sorriu-lhe como sorrira a Alcaluz. Como se, de facto, o não reconhecesse. Mas levantou-se, e com um olhar atrevido passou a mão pela barba mal tratada, tocou-lhe no nariz, nos olhos, e a seguir abraçou-o.

Publicado por Joaquim Semeano em março 14, 2004 01:29 AM
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