março 14, 2004

A ESTRADA - Da cor do mar com o sol ao fundo

Às vezes apetece esquecer esta realidade, do dia a dia. É quando a literatura me assalta, a ficção me fascina, a história surge irresistível. Voltemos, pois, ao nosso meio mais natural. A partir de hoje, durante muitos episódios, o Bosque apresenta "A Estrada".

A ESTRADA
Da cor do mar com o sol ao fundo

Alcaluz viu, no fim da estrada, um pequeno café. Não havia mais nada para lá dele. Um espaço vazio. E Alcaluz lembrou-se de entrar, antes de avançar. Como não tinha dinheiro para pagar qualquer sanduíche, Alcaluz apenas se sentou. Escolheu a única mesa que ali havia. Velha e pouco segura, rodeada por duas cadeiras coxas.
Sentou-se e respirou fundo. Parecia-lhe que já ali estivera em qualquer um daqueles dias em que se perdera. Procurou lembrar-se, vasculhar fundo na memória assaltada de imprevistos, mas foi então que veio a mulher, talvez a dona do café, e ele se distraíu.
Ela veio devagar e ele viu-a assim, como uma heroína de um filme. Mais do que tudo, impressionaram-no aqueles olhos da cor do mar com o sol ao fundo. Sorriu-lhe e esteve para lhe perguntar onde antes a vira. Achou, ainda a tempo, que a pergunta não tinha sentido. Por isso limitou-se a sorrir, e ela pareceu gostar. Sorriu-lhe também e não perguntou o que desejava. Fez melhor, sentou-se ao lado dele, sem dizer palavra, a fixar a porta entreaberta.

Publicado por Joaquim Semeano em março 14, 2004 01:21 AM
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