Os atentados de Madrid não têm perdão. São demasiado cruéis, injustos, porque atingem o cidadão anónimo, ainda por cima uma camada da população que vive nas zonas mais pobres da cidade. Sem piedade. Um ataque destes só pode ter resultado de uma mente desesperada, cuja raiva ultrapassou todos os limites.
Por esta razão, esta é uma boa altura para reflectirmos, em vez de alimentarmos também a nossa raiva, a nossa ânsia de vingança, o nosso desprezo por alguém que entendemos, em geral, ser contrário à nossa sociedade, ao nosso modo de pensar. Se nos deixarmos vencer pela raiva, ficaremos como o W. Bush quando, enfurecido pelo 11 de Setembro, decidiu vingar-se no Afeganistão, um dos mais pobres e miseráveis países do mundo.
A raiva e o ódio nunca tiveram desfechos positivos. Por isso, devemos é perguntar-nos por que razão alguém chega ao extremo de fazer uma coisa destas. Se entendemos isto como um ataque ao mundo ocidental, porque razão é tão odiado o mundo ocidental? O que precisamos de fazer para melhorar a nossa relação com os povos que pensam de maneira diferente de nós?
Porque é da intransigência que tem sido feita a pior história do mundo. E a intransigência não é uma característica da evolução.
Publicado por Joaquim Semeano em março 12, 2004 09:15 PM