Acontece todos os anos, a qualquer cinéfilo em qualquer parte do mundo: a banhada do ano. A mim aconteceu-me esta sexta-feira quando, seduzido por uma história de ficção com a assinatura de Philip K. Dick, fui ver "Paycheck" ("Pago para esquecer", em português), desse inefável realizador que dá pelo nome de John Woo.
Entre tantas produções norte-americanas (a maior parte deles de baixo nível, sem temas de interesse -- comédias românticas parvas, boas para criancinhas de doze anos, histórias de serial-killers, sempre repetitivas, e até mais uma incursão à guerra civil americana! --, devo ter escolhido a pior.
Uma boa história como ponto de partida, e que se perde a partir da altura em que é disparado o primeiro tiro. A partir daí esquece-se a ficção científica e assistimos a mais uma cóboiada ao pior estilo norte-americano. Nem falta uma grande cena de perseguição, onde o pobre do Woo, à falta de mais ideias, deve ter gasto todo o seu orçamento. No meio disto, um Ben Affleck reduzido ao mínimo -- ele também não é capaz de muito mais... -- e, que desperdício, uma Uma Thurman num papel extremamente pobre de uma bióloga que se apaixona pelo Ben e chora muito ao saber que ele apagou da memória os três anos que esteve com ela. No final, claro, ficam juntos, e até ganham a lotaria... (!)
Não vão ver. Mas eu não vou esquecer: é mais uma confirmação de que o cinema norte-americano está de rastos. Pelo menos o que chega às nossas salas. Em trinta, aproveita-se um. E, aqui, apetece-me perguntar, com alguma indignação: se é mau, porque razão no-lo dão? Porque razão ainda o consumimos?
Publicado por Joaquim Semeano em fevereiro 29, 2004 12:43 AMPois pois... devias ter visto o trailer e percebido que quando um filme glorifica "reverse engineers" (e eu pensava que tal acto era apenas uma das muitas coisas que um programador mais "nerdy" faz no dia a dia) devia de facto ser uma porcaria de filme.
Sugiro "Lost in Translation". Chegas ao fim e não percebes tudo o que se passou mas é um belo filme.