Tenho estado a acompanhar, embora de uma forma pouco concentrada, um debate na televisão em que se falou na falta de respeito dos portugueses pelas instituições. A acusação, proferida por Pacheco Pereira, é uma maneira fácil de ludibriar os verdadeiros problemas do país e, no fundo, da nossa civilização ocidental: as instituições não se dão ao respeito, a começar pelo poder político, que mais deveria preservar essas instituições. Assim, como pedir aos portugueses que as respeitem? O respeito, como resposta à falsidade, incompetência, mentira, desonestidade? Não. O desrespeito, pois claro.
Por outro lado, as instituições pouco assumem o seu verdadeiro papel, a começar, repito, pelo poder político. Então não é que está em marcha uma bem intencionada campanha de angariação de assinaturas para pedir um novo referendo sobre o aborto? Então não se percebeu já que se o aborto voltar a um referendo voltará a ser proibida a sua liberalização, como aconteceu no primeiro referendo? Porque estamos num país conservador e culturalmente atrasado, que nos últimos anos apenas regrediu em termos civilizacionais.
Pelos vistos, o poder político não tem coragem para tomar a única decisão certa sobre o aborto: a liberalização. E mais uma vez prepara-se para descarregar esse ónus no famigerado referendo. O objectivo, claro, deve ser que tudo fique na mesma. Então que respeito é possível ter pelas instituições?
Publicado por Joaquim Semeano em janeiro 12, 2004 01:06 AMMuito bem, companheiro, muito bem.
Quando quem comanda perde a vergonha, quem é comandado perde o respeito, ou não é?
Um abração do
Zecatelhado