Irritam-me programas televisivos do género "Ídolos", "Operação Triunfo", "Academia de Estrelas", etc. E irritam-me sobretudo porque são apresentados como super-programas, em horário nobre, com super-estrelas: os júris fartam-se de dizer "tu és um cantor extraordinário; há muito tempo que não ouvia alguém cantar tão bem como tu", etc, etc.
Ainda na última sexta-feira tive que suportar o "Ídolos", e as "fantásticas" interpretações de temas musicais do cinema. E o que me choca é que isto está tudo ao contrário: no horário nobre estavam os aprendizes de cantores, jovenzinhos com aspirações, mas que se calhar nem sabem música e apenas sonham ser como os cantores internacionais que admiram; e depois, à uma da manhã, lá apanhei na querida tv um programa com Compay Segundo, grande figura da música cubana, e um velhote que aos 90 anos poderia dar uma lição a todos os aprendizes do ídolos. Assim, escondido, à uma da manhã. Assim, que cultura musical podem as nossas televisões dar aos nossos jovens? Que tipo de sociedade estamos a construir?