julho 17, 2003

Histórias curtíssimas



A PRIMEIRA PALAVRA




Um  homem  chamado  Sansão  chegou  um dia à  beira  de  um precipício  e  parou.  O homem tinha longos cabelos negros  e  um olhar  profundo  como se fosse deus de alguma  coisa.  Ficou  ali durante muito tempo,  deixando,  indiferente, passarem por ele os dias e as noites.
Quando  finalmente  se decidiu a abandonar o local, estava uma manhã vermelha, um céu envergonhado e estranho. O precipício, esse, ficou  mais  enevoado até ao cimo,  como se cheio  de algodão para amortecer as quedas.
Abandonado aquele local, o homem dirigiu-se para uma cidade, onde  corriam  muitas pessoas de um lado para o  outro,  como  se alguma coisa de grave, para além do nascimento do homem, tivesse acontecido.
Apesar disso, o homem, descontraído e sem fazer caso de toda aquela agitação,  sentou-se a uma esquina, com um caderno na mão. Puxando de uma esferográfica, começou a escrever.
À  primeira palavra escrita,  toda a gente que corria  parou imediatamente.  Foi  uma coisa impressionante.  O  homem  chamado Sansão  ficou muito surpreendido,  e durante todo o tempo em  que durou  essa  surpresa passaram muitos dias,  muito vento e  muita chuva.



Publicado por Joaquim Semeano em julho 17, 2003 03:13 PM
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