A PRIMEIRA PALAVRA
Um homem chamado Sansão chegou um dia à beira de um precipício e parou. O homem tinha longos cabelos negros e um olhar profundo como se fosse deus de alguma coisa. Ficou ali durante muito tempo, deixando, indiferente, passarem por ele os dias e as noites.
Quando finalmente se decidiu a abandonar o local, estava uma manhã vermelha, um céu envergonhado e estranho. O precipício, esse, ficou mais enevoado até ao cimo, como se cheio de algodão para amortecer as quedas.
Abandonado aquele local, o homem dirigiu-se para uma cidade, onde corriam muitas pessoas de um lado para o outro, como se alguma coisa de grave, para além do nascimento do homem, tivesse acontecido.
Apesar disso, o homem, descontraído e sem fazer caso de toda aquela agitação, sentou-se a uma esquina, com um caderno na mão. Puxando de uma esferográfica, começou a escrever.
À primeira palavra escrita, toda a gente que corria parou imediatamente. Foi uma coisa impressionante. O homem chamado Sansão ficou muito surpreendido, e durante todo o tempo em que durou essa surpresa passaram muitos dias, muito vento e muita chuva.