Fim de ano
Os Beatles cantam Yellow Submarine. Qualquer evocação imprecisa. União e amizade. E depois o Hotel California, onde desembocam belezas e doçuras, e um romantismo que só em vagos momentos sabemos sentir. É nestas alturas que o teu olhar se torna inesquecível. A única parte de ti. Para lá das palmas e dos gritos, das piadas e dos encontrões. Não é amor, nem sequer é paixão. É melodia, pura, a melodia dos corpos e das existências, duas vidas que se cruzam subitamente, um romance etéreo, rápido e imortal.
A vontade súbita de falar, de quebrar todas as barreiras, de descobrir como se vive para lá do muro.
A música continua. O espectáculo também. Permanece a vida no mundo. O amor, o ódio, estupidamente. A melodia e a desafinação. A variedade incrível das coisas e de ti. A fada boa e a fada má. Saibamos passar o tempo.
31 de Dezembro. Está uma bela noite.
Através do frio e do nevoeiro
movimentam-se os lobos
lentamente
Os faunos cantam escondidos
atrás da árvore de Natal
Na realidade o silêncio
pesa tanto como o escuro
Perde-se na noite confusa
o maravilhoso cantor pop
Ela enfeita a sensibilidade
no rendilhado manto da fantasia
Esta noite todas as coisas
Podem ser cantadas por ti